Mesmo após a suspensão do projeto de uso obrigatório de sacolas biodegradáveis, alguns consumidores continuam com essa prática
DÉBORA KOMUKAI*, via RROnline
Há mais de um ano começou a polêmica da distribuição de sacos plásticos em supermercados. O acordo firmado entre a APAS (Associação Paulista de Supermercados), o PROCON-SP e o Ministério Público de São Paulo obrigava os supermercados do Estado a parar de distribuir as sacolas convencionais, e a fornecer as biodegradáveis.
O projeto tinha como objetivo a redução da circulação de sacolas plásticas nos principais mercados do país. No lugar dos materiais tradicionais, o consumidor deveria utilizar bolsas retornáveis ou embalagens biodegradáveis. Mas o acordo não foi adiante.
Em agosto do ano passado, foi a vez de São Bernardo instituir um decreto obrigando os supermercados a fornecer o produto, mas, ao mesmo tempo, incentivar os consumidores a usar materiais retornáveis no lugar de descartáveis.
Passado todo esse período, os sacos plásticos estão de volta. Após menos de um ano da queda da campanha nacional, boa parte dos consumidores passou a utilizar de novo os sacos plásticos oferecidos pelo varejo. Foi isso que a reportagem constatou ao visitar algumas lojas de consumo em São Bernardo.
“A praticidade acaba fazendo o mercado voltar e esquecer, porque ele só está preocupado em vender, e aqui só funciona se for multado e obrigado”, disse a dona de casa Antônia Aparecida Baeza, 57, que carregava uma sacola retornável e garrafas de água sem sacola, na saída de um hipermecado local.
Para a enfermeira Carolina Grosz, a ausência do produto pareceu lembrar a importância do uso dele. As pessoas sentiram falta da sacola plástica no dia a dia e agora valorizam mais sua utilidade.
Um dos principais atos da campanha incentivava as pessoas a trocarem as sacolas tradicionais por bolsas reutilizáveis. Na época, de acordo com o termo assinado, os supermercados teriam que oferecer aos consumidores sacolas retornáveis no valor de R$ 0,59.
Mesmo os compradores favoráveis ao fim das sacolinhas reclamaram do preço cobrado pelas alternativas sustentáveis. Para a dona de casa Doroti Arantes, 71, moradora do Rudge Ramos, é um “absurdo” ter que comprar sacolas, pois o valor das mercadorias já é alto. Doroti carregava sacolas retornáveis e biodegradáveis – fornecidas em mercados, de acordo com ela, as embalagens distribuídas em supermercados são úteis no dia a dia, principalmente para depositar resíduos não recicláveis, como alimentos.
Muitos entrevistados relataram que a iniciativa foi feita de forma confusa. “De repente não se dá mais sacolinha. Daí depois voltou tudo de novo. Pareceu que eles não sabiam o que queriam”, diz Doroti.
A idade também foi usada para justificar a defesa da volta do plástico. “Já tenho 70 anos, não consigo carregar uma caixa com a mesma facilidade que levo sacolas”, diz a comerciante Luzia Hayashi.
“Antes vendíamos sacolas retornáveis e biodegradáveis, usávamos camisetas com frases a favor do meio ambiente, mas agora ninguém mais usa e discute sobre isso”, diz Alexandre Matos, supervisor de uma rede atacadista de São Bernardo.
O clima confuso após a campanha é evidente. Mesmo em meio à turbulência, muitos moradores da região mostraram usar produtos sustentáveis, com ou sem lei, em pró ao meio ambiente. É o que diz a comerciante Luciana Faria. “Desde que os mercados começaram a fazer a campanha eu comecei a usar outros produtos para carregar as compras e não parei mais”, conta ela.” Eu acho que com a divulgação melhorou, mas ainda falta muito para evoluir e conscientizar a todos”, afirma.
*Colaborou Arthur Gandini
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- Governo planeja reduzir utilização de sacolinhas
10 de mai. de 2013
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