Segundo especialista, para as empresas de grande porte é mais lucrativo ter uma estrutura menor
ARTHUR GANDINI e
DÉBORA KOMUKAI
Via RROnline
(Também na edição impressa)
Evitar a ação dos sindicatos é um motivo para as empresas espalharem sua produção, como já ocorreu no ABC, mas não é o único.
De acordo com a socióloga Lucieneida Praun, as indústrias pensam, também, nos fatores econômico e no logístico. “Para uma empresa dessas é mais lucrativo ter uma planta menor porque ela se torna mais ágil no sentido da produtividade, seja porque terceiriza parte desses produtos, seja para poder escapar de uma possível greve em outras plantas, se está em greve no ABC, pode continuar produzindo em outra planta, não tem toda a produção paralisada”, afirmou.
O último fator é muitas vezes usado como única explicação para evasão de indústrias. “É uma visão carregada de preconceito”, disse Francisco Funcia, coordenador do curso de ciências econômicas da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul).
“O fato de você ter sindicados fortes também significa que você tem categorias profissionais organizadas. Um sindicalismo fraco é prejudicial para o desenvolvimento da empresa. Ela não é feita apenas de mão de obra, tem a questão da própria estabilidade da relação capital e trabalho (patrão e empregado) que o diálogo dos sindicatos proporciona”, afirmou.
Nem sempre é melhor uma fábrica se mudar de um local como o ABC para outro mais afastado dos centros de consumo. “Não dá para comparar o estágio de desenvolvimento urbano daqui e do outro do ponto de vista da logística produtiva (como no transporte dos produtos). Isso tudo são vantagens que a região tem e que se coloca na balança na hora de (a fábrica se) mudar”.
Nelsi Rodrigues, o Morcegão, dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, coordena as mobilizações de trabalhadores pela planta da Mangels em São Bernardo, fechada no último mês visando “redução de custos”. Para ele, é preciso proteger o polo fabril, já que é mais fácil implantar empreendimentos do setor de serviços do que industriais no ABC, devido a custos e impedimentos da proteção ambiental, de modo que um setor pode ocupar o espaço de outro. “Se não se fizer nada junto aos órgãos públicos, a tendência é termos questões como a saída da Brastemp”, falou sobre a planta de São Bernardo, fechada em 2001 devido a empresa considerar que a unidade de Joinville (SC) já produzia o suficiente.
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13 de abr. de 2013
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