6 de dez. de 2013
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Aplicativo Tubby era mentira, dizem criadores

6.12.13
Site e aplicativo direcionam para vídeo que afirma que "pessoas não são objetos"



ARTHUR GANDINI

O site oficial do aplicativo Tubby, previsto para ser lançado nesta sexta-feira, passou a direcionar para o vídeo acima no Youtube. A descrição do vídeo informa que o aplicativo "se trata de uma trollada", gíria popularizada pelo programa televisivo Pânico na Band para se referir a brincadeiras e pegadinhas. O aplicativo encontrado apenas no Google Play tem 880 kb de tamanho e também leva o usuário ao site.

Guilherme Salles e Rafael Fidelis se apresentaram no vídeo como criadores da ideia e dizem que o sócio-investidor do Tubby tem uma mensagem a passar. Um sul asiático, então, diz por legendas no vídeo que o lançamento do aplicativo se atrasou por questões jurídicas e que algumas hashtags estão sendo avaliadas pela equipe para evitar processos judiciais pelo mundo. O "sócio-investidor" depois lê com sotaque hashtags como "#engoletudo", "#comiporeducação" (as hashtags não tem acento, na verdade) e "#bacalhoada".

Entretanto quando se assiste o vídeo com as legendas do Youtube ativadas, aparece tradução que afirma que as pessoas "não são objetos e a intimidade de um relacionamento, por pior que tenha sido, não pode ser exposta dessa forma" e que o "aplicativo pode até ser 'mera brincadeira', mas dá as ferramentas para pessoas anonimamente fazerem estragos na imagem pública das outras."



A mensagem também critica a imprensa que divulgou ao aplicativo e entrevistou os seus idealizadores, mas não "checa fonte de nada".

A 15ª Vara Criminal de Belo Horizonte (MG) já tinha proibido o lançamento do aplicativo nesta quinta-feira (06) sob multa diária de R$ 10 mil a pedido de organizações feministas como a Marcha das Vadias. A Justiça entendeu que o Tubby se caracterizava como uma agressão para as mulheres e tomou como base a lei Maria da Penha.

Aplicativo direciona para o vídeo.
Foto: Reprodução
Aplicativo "sexista"

O Tubby App surgiu como rival do aplicativo Lulu que permite que as mulheres avaliem as qualidades e defeitos dos amigos no Facebook com hasgtags como "#PagaAConta" e "#TresPernas" sem que eles tenham acesso a avaliação com o direito de solicitarem a retirada de seus perfis do aplicativo. Mas o Tubby virou polêmica nas redes sociais pois teria conotação mais sexual. Homens também acusaram as mulheres de enxergarem machismo no caso apenas quando os homens são alvo das avaliações.

Em entrevista à revista Forum, a participante do grupo feminista Ana Montenegro, Bruna Giorjiani, defendeu que o aplicativo não é uma compensação pela desigualdade das mulheres perante os homens. "Não é igualdade. Porque o conceito não é liberdade para reproduzir as opressões. Ser oprimido ou ser opressor nunca é bom", afirma Bruna.

Para Luka Franca, colaboradora do Blogueiras Feministas em entrevista à mesma revista, agora os homens têm a "desculpa" para avaliar as mulheres por elas terem começado a avaliar primeiro, mas o caso se trata de uma "questão histórica muito maior".

Especialistas desconfiavam que o aplicativo era apenas uma forma de se apoderar dos dados de usuários pré-cadastrados no site já que a rede social teria sido desenvolvida em muito pouco tempo.

Leia a íntegra da mensagem dos idealizadores da brincadeira:

"Olá, meu nome é Pyong Lee, da cuboX.

Sério, caras, que vocês caíram nessa bobagem?

2014 está chegando e ainda tem gente querendo regredir para a 6ª série dando nota para pessoas do sexo oposto.

P..., pessoas não são objetos e a intimidade de um relacionamento, por pior que tenha sido, não pode ser exposta dessa forma!

Esse tipo de aplicativo pode até ser "mera brincadeira", mas dão as ferramentas para pessoas anonimamente fazerem estragos na imagem pública das outras, caso ainda mais grave nos dias atuais em que observamos intimidades filmadas por ex-namorados, por exemplo, vazando na rede e tendo repercussões drásticas... Sem falar no aspecto sexista, machista, heteronormativo e cruel dentro outros retrocessos que essa futilidade promove.

Vocês já ouviram falar de respeito, intimidade e privacidade? Ou que tal deixar de ser babaca, imaturo, sem noção e qualquer coisa do tipo, hein?

Olhem essas hastags rídículas: "#engoletudo", "#comiporeducação", "#gemebaixinho", "#bacalhoada", "#analgiratorio".

Não seja um imbecil. Trate as pessoas com respeito. Isso vale para a nossa grande mídia que nunca checa fonte de nada. Sério que caíram nessa? Entendedores entenderão. E para os que viram esse vídeo, façam o download na sexta e espero que se divirtam.

Idealizado por Rafael Fidelis e Guilherme Salles com apoio e produção de Não Salvo (Cid) e cuboX (Pyong Lee e Hugo Severo)."

SG: Reflexões sobre o Mundo, Notícias e Entretenimento
 
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