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| Agência do Santander, em Santo André, está fechada em protesto às demissões. Foto: Divulgação |
ARTHUR GANDINI, via ABCD Maior
(Também na edição impressa)
O Sindicato dos Bancários do ABC paralisou 11 agências na Região nesta quarta-feira (05/12). Do total, 10 do Itaú em Santo André, São Bernardo, São Caetano e Mauá estão em greve devido ao Dia Nacional de Luta contra a extensão do horário de atendimento. A outra agência é a do Santander da Rua Senador Fláquer, em Santo André, que está parada desde terça (04) em protesto a onda de demissões que começou nesta segunda (03). As paralisações atingem outras cidades no país, como São Paulo.
Itaú - O Projeto Corredor ampliou o horário de algumas agências para das11h às 19h ou das12h às 20h. O atendimento público que era de seis horas foi reduzido para cinco horas. Agora, duas horas de atendimento são exclusivas para clientes do banco. Deste período, uma hora fazia parte das duas horas antes usadas pelos funcionários apenas para trabalho interno, de modo a acumular agora o atendimento exclusivo. "Os funcionários ficam sobrecarregados. Ampliar o horário de atendimento é uma reivindicação antiga nossa para atender melhor a população, desde que aconteça com dois turnos de trabalho, o que possibilita a contratação de mas bancários", afirma Eric Nilson, presidente do sindicato.
O Itaú afirma, em nota, que implantou o novo horário visando "conveniência e praticidade", com agências atuando próximas em "dupla", com uma das 10h às 14h e outra no novo horário. Também ressalta que os funcionários que não concordavam foram "respeitados" e realocados para outras agências. O número de transações nas agências com o novo horário também teria aumentado 20% e haveria até funcionários de outros locais querendo participar do projeto.
Santander – A paralisação da agência em Santo André tem o objetivo de protestar contra sequêncas de demissões . De acordo com estimativa das entidades sindicais bancárias, nesta segunda-feira (03/12) foram realizadas cerca de mil demissões e o número pode chegar a cinco mil na sexta-feira (07/12), quando os desligamentos cessariam. No ABCD foram 23, sendo 16 na agência em greve.
"Não tem explicação as demissões", afirma Eric Lopes. Ele lembra que o Santander Brasil lucrou 1,5 billhão no terceiro trimestre deste ano, o maior ganho no mundo entre os países no qual o banco espanhol está presente. A paralisação se concentrará apenas na agência de Santo André e prosseguirá até sexta, caso as demissões no País não parem até lá. Se continuarem após a data, o sindicato também avaliará a continuidade da greve.
A assessoria do Santander informa que o posicionamento do banco é de que o número de demissões apresentado pelos bancários "não corresponde à realidade" e que são ajuste para o banco no "contexto competitivo da indústria".
Governo e banco – A Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) enviou nesta quarta (05) carta ao presidente do Santander Brasil, Marcial Portela, e outra a Brizola Neto, ministro do Trabalho e Emprego.
Na primeira, os bancários solicitam uma reunião para discutir as demissões. "Fomos pegos de supresa ao tomarmos conhecimento nesta semana de demissões em massa que atingiram principalmente funcionários com mais de 10 anos de casa, muitos oriundos de bancos adquiridos (fundidos, como o antigo Banespa), perto da aposentadoria e pessoas com deficiência. Dispensas que acontecem às vésperas do Natal", afirma trecho da carta. "Contraria o compromisso assumido por Vossa Senhoria, durante reunião com a Contraf em 13 de junho. Expressou a disposição de continuar dialogando com o movimento sindical quando necessário".
Os bancários também defendem que as demissões vão contra pronunciamento da presidente Dilma Rousseff em visita à Espanha, em novembro, que defendia que países estimulassem o consumo para enfrentar a crise econômica. O Santander tem origem espanhola e é no País onde o banco passa a maior crise. De acordo com os bancários, entretanto, não se tem notícia de nenhuma demissão no outro País.
Na outra carta, a Contraf cobra o "compromisso" de Brizola Neto de defender os trabalhadores e ajudar a reverter as demissões.
