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| Sindicato critica atitude da diretoria da fábrica e falta de incentivos à indústria pelo Governo Estado. Foto: Edu Guimarães |
Os trabalhadores da planta da Panex de São Bernardo decidiram, nesta sexta-feira (18/02), em plenária no SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC), realizar assembleia em frente à porta da fábrica, na segunda-feira (20/02), contra o fechamento da fábrica. Um acampamento foi montado, em frente da empresa, para impedir a saída do maquinário.
O Grupo SEB, multinacional com sede na França e dona de marcas como Arno, Clock, Panex e Rochedo, anunciou, nesta quinta-feira (16/02), que a filial da fábrica será transferida para Itatiaia (RJ), por conta de “fatores como o momento econômico do País, dificuldades mercadológicas, alta volatilidade cambial, baixa produtividade e altos custos de operação contribuíram para um cenário insustentável”.
De acordo com o sindicato dos metalúrgicos, cerca de 250 trabalhadores podem ser demitidos (a empresa fala em 200) e o anúncio foi feito de surpresa, além de a diretoria da empresa ter tentado dispensar os trabalhadores por meio da segurança da planta, supostamente até a próxima segunda, para começar de imediato as negociações com o sindicato.
“A empresa poderia ter nos procurado. Eles acham que podem colocar todo mundo em um ônibus e mandar para a casa. Aqui não, temos uma companheirada de luta”, afirmou o diretor do sindicato José Paulo da Silva.
Momento econômico
Para o diretor, a falta de incentivos do governo do Estado para a indústria faz com que o ABCD tenha perdido a guerra fiscal para outros Estados. “No Rio de Janeiro, há vários incentivos para as empresas irem para lá. Em São Paulo, tem um governo do PSDB em que a indústria está só perdendo força. Isso se dá por uma política do governo do Estado, ele é o maior culpado”, disparou.
O secretário-geral da entidade Wagner Santana, criticou a atitude da empresa de buscar transferir a produção. “Independente do momento em que vivemos, poderíamos ter essa notícia do mesmo jeito. A empresa está fazendo um ajuste para lucrar mais”, afirmou. De acordo com Santana, o sindicato irá buscar formas de manter a planta na Região.
A vereadora de São Bernardo Ana Nice (PT) - trabalhadora licenciada da fábrica - ofereceu apoio à categoria. “Recebi a notícia com indignação como todos. Fico a disposição”, disse.
A empresa afirma que maquinário deve começar a ser retirado da fábrica a partir de julho. O fechamento ocorreria em dezembro, conforme a previsão. Ontem, a loja da fábrica já estava fechada com aviso que justificava o fechamento da unidade devido à necessidade de realizar “balanço”.
O sindicato tem recebido o apoio no acampamento de trabalhadores de outras fábricas e categorias. O impedimento da saída do maquinário possui o objetivo de garantir o pagamento dos direitos dos trabalhadores.
