16 de fev. de 2017
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Metalúrgicos do ABC defendem que BNDES fortaleça indústria nacional

16.2.17
Medidas visam o uso de recursos no País para gerar renda e emprego

Presidente do sindicato da categoria esteve em seminário
 no RJ nos últimos dias 13 e 14. Foto: Andris Bovo
ARTHUR GANDINI, via ABCD Maior

O presidente do SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC) Rafael Marques, e outros trabalhadores do setor, estiveram nesta última segunda e terça-feira (13 e 14/02) em seminário interno do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O evento foi realizado no Rio de Janeiro, para discutir o incentivo do banco estatal às chamadas políticas de conteúdo local.

As medidas de conteúdo local possuem o objetivo de ampliar a participação da indústria nacional no fornecimento de bens e serviços para gerar emprego e aumento na renda para a população do país. “Estamos em um momento da conjuntura internacional em que aumentou no mundo a política de conteúdo local, como nos Estados Unidos”, afirmou Marques. “Existe o debate sobre ser uma política atrasa, especialmente entre o mercado financeiro”, critica.

'Temos que defender a indústria'

Para o sindicalista, é preciso que o país utilize seus recursos em favor da população. “O Brasil tem de transformar essas potencialidades em riquezas, emprego para o seu povo. Temos que defender e valorizar a indústria brasileira como uma das grandes conquistas recentes da história brasileira”, afirma.

Os metalúrgicos defendem políticas de conteúdo local como a valorização de fornecedores, como no caso dos automotivos e a manutenção do desconto de 2% no IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados), no caso setor de ferramentaria. Foi entregue documento à presidente do BNDES Maria Silvia Bastos com convite do sindicato para que o banco participe de uma futura campanha pela valorização da indústria nacional.

“Estamos no momento de outras escolhas (por parte do governo atual) e nossa preocupação é que as dessa governo resultem em uma fratura na indústria nacional. Esse tema está forte no governo, que está dividido”, declarou Marques em relação ao aumento ou diminuição das políticas de conteúdo local.

Conforme números da Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgados em janeiro desse ano, as indústrias instaladas no ABCD associadas à entidade patronal reduziram aproximadamente 20.300 postos de trabalho em 2016, sendo o maior número em São Bernardo, com quase 8 mil desligamentos.

Entidades patronais

O Movimento Produz Brasil, formado por associações de indústrias e empresas, além de entidades trabalhistas, divulgou nesta quarta-feira (15/02) uma nota na qual defende a manutenção das políticas de conteúdo local nas próximas rodadas de licitação no setor de óleo e gás.

O movimento estima que, apenas em 2017, mais de 1 milhão de pessoas possam perder o emprego no país. “As regras do conteúdo local podem e devem ser aprimoradas. O que não se pode é extinguir o compromisso de estimular a aquisição de bens e materiais provenientes da indústria de transformação brasileira”, afirma a nota.

“As empresas multinacionais que vieram se instalar no Brasil por conta do conteúdo local certamente aqui encerrarão suas atividades e passarão a fornecer bens e serviços a partir de outros países”, defende caso as medidas deixem de ser tomadas pelo governo.

Fazem parte do movimento as entidades trabalhistas AFBNDES (Associação dos Funcionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), FUP (Federação Única dos Petroleiros) e Sindipetro (Sindicato dos Petroleiros) e as entidades patronais ABCE (Associação Brasileira de Consultores de Engenharia), ABEMI (Associação Brasileira de Engenharia Industrial), ABINEE (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), ABITAM (Associação Brasileira, da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal), ABIMAQ (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos), Instituto Aço Brasil, SINAVAL (Sindicato da Indústria Naval) e as federações de indústrias dos Estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
 
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