3 de dez. de 2014
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Autor de O Capital no Século 21 critica privatizações da década de 1990

3.12.14
Para Piketty, pessoas ficam ricas ao comprar patrimônio público por preço baixo

ARTHUR GANDINI, via R7

O economista francês Thomas Piketty, autor do campeão de vendas O Capital no Século 21, criticou a venda de empresas estatais por governos, como as que ocorreram na Europa e no Brasil nos anos 1990.

Para Piketty, que participou na sexta-feira (28) de debate promovido pela UFABC (Universidade Federal do ABC), as privatizações são responsáveis por pessoas se tornarem ricas de um modo equivocado.

— [Essas pessoas] se tornam ricas não pelo acúmulo de capital, mas por comprarem o patrimônio público por preços baixos.

Em seu livro, traduzido para o português em novembro, Piketty defende que o mundo passa por um contínuo processo de concentração de renda. Ou seja: é cada vez maior a distância entre ricos e pobres.

Isso aconteceria porque a renda do capital (vinda do mercado de ações, por exemplo) é maior e mais rápida do que a renda do trabalho (recebida pelos trabalhadores).

Para o francês, é difícil saber o quanto a desigualdade tem caído no Brasil devido à falta de dados.

Piketty: desigualdade pode crescer no Brasil

Renda básica

Piketty afirmou no debate que, embora o governo brasileiro promova distribuição de renda, os gastos nessa área ainda são menores do que os repassados ao setor privado.

O economista defendeu o investimento em educação, complementar a programas de distribuição de renda.

— Sou a favor de transferência de renda. Minha única ressalva é as pessoas acharem que [a transferência] pode sobrepor outras formas [de distribuição], como o investimento em educação.

Piketty ainda afirmou ser a favor de um programa de renda que transfira capital a toda a população, independentemente do poder aquisitivo, ao contrário de como funciona hoje em dia com o Bolsa Família.

A opinião foi dada após ele ser questionado sobre o assunto pelo senador Eduardo Suplicy (PT), presente no debate.

O petista defende há décadas a implantação da chamada Renda Básica de Cidadania, idealizada por ele e colocada em lei em 2004, mas nunca posta em prática.

Suplicy ainda aproveitou o encontro para receber um exemplar autografado de O Capital no Século 21.

O parlamentar, que encerra seu mandato neste ano e começou a dar aulas de política econômica na USP Leste, deu em troca o livro Renda Básica de Cidadania – A saída é pela porta, também com o seu autógrafo.

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