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| Eduardo Suplicy não conseguiu mais um mandato no Senado. Foto: Reprodutor/Twitter/@esuplicy |
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que não conseguiu se reeleger para mais um mandato, disse ao R7 na última sexta-feira (28) que está “mais para sim do que para não” ser candidato novamente em 2016.
A declaração foi dada em seminário na UFABC (Universidade Federal de São Bernardo) com o economista francês Thomas Piketty, autor do livro “O Capital no século XXI”. Suplicy, entretanto, não entrou em detalhes para qual cargo se candidataria.
— Está tudo em aberto. Eu vou continuar a batalhar pelas minhas ideias, como a Renda Básica da Cidadania. Vou ouvir o povo. Do jeito que as pessoas estão falando, é mais para sim.
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O petista também aproveitou o seminário para dar de presente ao economista francês o seu livro autografado “Renda de Cidadania – A saída é pela porta” e para perguntar se Piketty gosta da ideia defendida pelo senador há décadas de um programa que transferia renda para toda a população, independente do nível social, diferente do Bolsa Família.
O economista best seller concordou com o senador e defendeu mais investimentos na área de educação no País.
Taxação de riquezas
Suplicy também respondeu sobre a implantação de um imposto sobre grandes fortunas no Brasil, o que é defendido por Thomas Piketty em nível mundial como forma de reduzir o processo de concentração de renda no mundo.
O senador citou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao falar sobre a dificuldade de aprovar um projeto de lei no Congresso relacionado à taxação das fortunas, prevista na Constituição de 1988, mas que nunca foi regulamentada.
— Não é fácil. Já tentamos algumas vezes, mas não conseguimos. Tem inclusive um projeto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com uma taxação moderada. É preciso persuadir os parlamentares para que isso venha a acontecer.
O livro “O Capital no Século XXI” tem feito sucesso pelo mundo ao defender, por meio de dados de imposto de renda de diversos países, que o mundo caminha para um processo de contínua concentração de renda e desigualdade social.
Isso aconteceria devido à renda do capital (do mercado financeiro, por exemplo) ser maior e mais rápida do que a renda do trabalho, de trabalhadores na indústria, por exemplo.
A obra não contém dados do IR do Brasil, devido a eles não terem sido fornecidos pela Receita Federal à equipe do economista francês. Para Piketty, isso dificulta saber o quanto a desigualdade no Brasil diminuiu nos últimos anos e se o processo teria se estabilizado.
