ARTHUR GANDINI, via ABCD Maior
O IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal), que calcula a inflação - alta dos preços de produtos e serviços no país – caiu de 0,52% em maio para 0,11% neste mês. Se comparado com o penúltimo levantamento, realizado na sexta-feira (22/06), a taxa diminuiu 0,05%.
O índice é medido toda semana pelo IBRE-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), sempre em relação às quatro semanas anteriores. O IPC-S atual foi calculado no último dia de junho (30/06), e é referente, por tanto, ao mês todo. É medido em oito capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Brasília.
Das categorias de produtos e serviços calculados pelo índice, cinco apresentaram diminuição nos preços. São, respectivamente: Despesas Diversas – como sabonete e cigarro - (1,48% para 0,48%), Vestuário (0,22% para 0,06%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,53% para 0,38%), Habitação (0,13% para 0,06%) e Educação, Leitura e Recreação (-0,06% para -0,10%). Para cada uma destas classes de despesa pode-se destacar os itens: roupas (-0,05% para -0,28%), medicamentos em geral (0,42% para 0,16%), tarifa de eletricidade residencial (-0,46% para -0,84%) e cursos não formais (0,70% para 0,59%), respectivamente.
Houve aumento da inflação nos setores de Transportes (-0,81% para -0,73%), Alimentação (0,67% para 0,74%) e Comunicação (-0,02% para 0,00%). A pesquisa a destaca tarifa do ônibus urbano (1,32% para 1,94%), panificados e biscoitos (0,88% para 1,00%) e tarifa de telefone residencial (-0,08% para 0,00%).
Para o professor de economia da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Radamés Barone, a maior preocupação do governo para conter a inflação é em relação aos preços do setor de transportes e alimentação, as duas variações mais altas. “A alimentação é essencial, é [a variação] o que o consumidor mais percebe facilmente. O transporte se reflete em tudo. Se aumenta o custo para se transportar um carregamento de frutas, por exemplo, isso é refletido no preço dos alimentos”, afirma ele. “É por isso que o governo se preocupa em não deixar o preço do combustível subir, afeta tudo”.
Para evitar o aumento citado, o governo reduziu na sexta-feira (22/06) o CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), imposto sobre os combustíveis. A variação do IPC-S do setor de transporte apresenta deflação – diminuição de preços - que aumentou de -0,39% para a taxa atual, em relação ao primeiro levantamento, realizado em 7 de junho.
O professor explica que a maior dificuldade do governo consiste em reduzir os preços do setor alimentício. “[No setor da] alimentação os itens dependem de condições climáticas diversas, de problemas sazonais. As chuvas, no Sul [região] podem fazer com que se percam plantações. A oferta diminui e aumenta os preços dos produtos alimentícios. O mesmo acontece com a pecuária. A seca acaba com o pasto, que serve de alimentação para os animais. Aí é preciso comprar ração, ou fazer um regime de engorda nos animais, o que é mais caro e reflete no preço da carne”.
Inflação e PIB - Para Barone o governo não preocupado com o setor alimentício. “Poderia se importar de outros países os produtos que estão caros no Brasil, como forma de manter a produção perdida e não aumentar a procura por alimentos, o que aumenta os preços”, afirma. “Mas a inflação mostra um certo controle”, reflite. “Se entende que não é necessária uma medida mais forte. Ele está mais preocupado que haja um decréscimo no PIB (Produto Interno Bruto – índice que soma todas as riquezas do país)”.
O governo tem, nos últimos meses, estimulado o crédito e reduzido os juros, como forma de estimular a indústria e taxas mais altas de crescimento econômico do país. O crescimento do PIB para este ano já chegou a ser previsto em 4% pelo governo. Entretanto, recentemente o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) reduziu a taxa para 2,8%.
Economistas acreditam que a previsão deve voltar a aumentar em agosto, devido a estímulos do governo à indústria, como a redução do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados), referente ao setor automotivo.
IPC-S de junho/2012
Classes de Despesa Variação percentual ao mês até
07.06.2012 15.06.2012 22.06.2012 30.06.2012
IPC-S 0,43 0,28 0,16 0,11
Alimentação 0,76 0,74 0,67 0,74
Habitação 0,44 0,29 0,13 0,06
Vestuário 0,65 0,40 0,22 0,06
Saúde e Cuidados Pessoais 0,54 0,45 0,53 0,38
Educação, Leitura e Recreação 0,14 0,08 -0,06 -0,10
Transportes -0,39 -0,65 -0,81 -0,73
Despesas Diversas 3,63 2,38 1,48 0,48
Comunicação -0,18 -0,06 -0,02 0,00
07.06.2012 15.06.2012 22.06.2012 30.06.2012
IPC-S 0,43 0,28 0,16 0,11
Alimentação 0,76 0,74 0,67 0,74
Habitação 0,44 0,29 0,13 0,06
Vestuário 0,65 0,40 0,22 0,06
Saúde e Cuidados Pessoais 0,54 0,45 0,53 0,38
Educação, Leitura e Recreação 0,14 0,08 -0,06 -0,10
Transportes -0,39 -0,65 -0,81 -0,73
Despesas Diversas 3,63 2,38 1,48 0,48
Comunicação -0,18 -0,06 -0,02 0,00