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| Reunião entre sindicalistas e representantes da Federação dos Bancos: sem resultado. Foto: Divulgação |
ARTHUR GANDINI, via ABCD Maior
A Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) reivindicou a instalação de portas de segurança com detectores de metais em todas as agências e postos de atendimento do país. A cobrança também é feita na Região pelo Sindicato dos Bancários do ABC.
Não existe no País uma lei federal que obrigue a instalação das portas. No ABCD, apenas São Caetano e Diadema tem na legislação a obrigatoriedade. O assunto foi discutido entre sindicalistas e representantes dos bancos durante a Mesa Temática de Segurança Bancária na sede da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) nesta quinta-feira (28/06).
De acordo com a Contraf, o representante da federação, Nicolino Eugênio, declarou que o assunto da instalação das portas “não tem a ver com as relações de trabalho”. A confederação condena a não utilização das portas giratória, como risco a segurança dos clientes dos bancos.
“Hoje faltam equipamentos nos bancos que aumentem a prevenção contra ataques e tragam privacidade nas operações de saque nos caixas. Não é à toa que há mortes, feridos e traumatizados em assaltos envolvendo bancos", critica Ademir Wiederkehr, da Contraf.
Ainda para a confederação, a instalação das portas em agências do País, por pressão dos sindicatos, em meados de 1994, contribuiu para a redução dos assaltos em bancos. Ela cita dados da Febraban, que mostram que o número dos delitos caiu de 1.903 em 2000 para 369 em 2010. No ano passado houve o aumento para 422, representando crescimento de 14,36%. "No ano passado, alguns bancos, como o Itaú, retiraram essas portas em cidades sem lei municipal, enquanto outros, como o Bradesco, inauguraram agências e postos de atendimento sem esse equipamento de segurança, aumentando o risco para bancários, vigilantes e clientes", denuncia Ademir.
Assaltos e segurança - Para combater a “saidinha do banco”, quando clientes são assaltados ao sair das agências, a confederação defende a instalação de biombos entre a fila e a bateria de caixas, a colocação de divisórias opacas e individualizadas entre os caixas, a instalação de sistemas de monitoramento em tempo real em agências e postos de atendimento, e a isenção das tarifas de transferências (TED, DOC) para diminuir a circulação de dinheiro.
De acordo com nota da assessoria da Febraban, os bancos brasileiros investem cerca de R$ 10 bilhões de reais por ano na segurança dos bancos. Ela também cita que “os bancos brasileiros também atuam em estreita parceria com governos, polícias (Civil, Militar e Federal) e com o Poder Judiciário, para combater os crimes e propor novos padrões de proteção”. Diz ainda que as agências respeitam a legislação, que determina criação de um plano de segurança nos bancos, condicionado à aprovação da Polícia Federal e elaborado por equipes técnicas e profissionais que analisam todas as características de cada ponto de atendimento – tais como localização, fluxo de pessoas, layout da agência, etc.
A Febraban ainda lembra que é inviável blindar as portas giratórias – já que o peso impediria o movimento – e declara que não há nenhum estudo que comprove a eficácia dos biombos nas filas, que não são exigidos por lei e ainda podem dificultar a visão dos seguranças.
Também ressalta que, para evitar o crime dá “saidinha”, dá apoio às leis que restringem o uso dos celulares em agências – usados entre os assaltantes para se comunicarem – e recomenda que os clientes evitem realizar saques elevados.
Uma nova reunião ficou pré-agendada para o final de julho, quando a Febraban deverá apresentar a estatística de assaltos a bancos do primeiro semestre deste ano. A Contraf-CUT pautou também o problema dos sequestros de bancários em todo país.
