27 de fev. de 2017
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Em clima familiar, Bloco das Bruacas anima Paranapiacaba

27.2.17
Foliões elogiaram a organização do bloco, mas criticam falta de policiamento no Carnaval

Bloco seguiu pelas ruas da vila, por volta das 13h, ao som de marchinhas como "olha a cabeleira
 do zezé". Foto: Andréa Iseki

ARTHUR GANDINI, via ABCD Maior

Moradores e visitantes da Vila da Paranapiacaba, em Santo André foram para a folia nesta segunda-feira (27/02) de Carnaval com o Bloco das Bruacas. Ao som de tradicionais marchinhas de Carnaval como “Olha a cabeleira do Zezé”, começou por volta das 13h e seguiu pelas ruas da vila puxado por carro de som, banda e, principalmente, homens travestidos de mulheres, costume que dá nome ao bloco. Foliões também pulavam o bloco junto com a família.

“É ótimo o bloco, bem familiar, não tem aquela bagunça”, afirmou o funcionário público Flavio Isao, 57 anos, que mora na Capital e veio pela primeira vez à atração, após ficar sabendo dela pela internet. Flavio veio com a esposa e filhos e não estava caracterizado. “Na minha idade, não dá mais”, argumentou.

O aposentado Josemerce Dias, 66 anos, conta que pula Carnaval na vila desde criança. Entra na folia com os amigos e gosta do bloco para lembrar a adolescência. “Eu nasci aqui e os meus amigos tocam desde que a gente era moleque. Passei minha juventude aqui”, revelou.

O grupo carnavalesco foi criado após a proibição do Bloco das Mocréias em Ribeirão Pires. A determinação de acabar com o bloco em Ribeirão foi decisão da Prefeitura, em 2012, por conta da falta de segurança e de conflitos entre os foliões. “É bom, é gostoso e eu gosto. Cresci vendo o Carnaval. Quando não venho, fico doente”, conta o aposentado Jorge Cassiano, 65 anos, um dos organizadores e membro da banda Kaxambu, que anima o bloco.

Policiamento e preconceito

Apesar da alegria, o organizador também reclama da falta de policiamento. “Quando crescer muito, (o Bloco das Bruacas) vai acabar também, porque a Prefeitura (de Santo André) não dá segurança. Mas, independente de nós, o Carnaval não pode acabar”, defende o folião.

A transformista Tina Tayler diz lamentar quem tenha preconceito
 fora da folia. Foto: Andréa Iseki
A reportagem presenciou o policiamento durante o desfile do Bloco das Bruacas apenas em uma base comunitária da GCM (Guarda Civil Municipal). A falta de segurança também é o único problema apontado pela dona de casa Adriana Gonçalves, 40 anos. “A organização está boa. A única coisa que não vi é policiamento. Mas o bloco está bem familiar, sem brigas, tem até cachorro com as famílias. Está melhor que muito Carnaval de rua do ABCD”, elogiou.

Adriana afirma gostar do costume dos homens virem vestidos de mulheres ao bloco, mas acredita que a caracterização não reduz o preconceito contra travestis. “O preconceito está no dia a dia. Não está na festa do Carnaval, ela se torna uma hipocrisia”, critica.

A transformista Tina Tayler, 55 anos, que costuma vir se apresentar no bloco e gosta da atração por apresentar uma batida diferente, diz que lamenta o preconceito. “Eu sinto muito por quem não é feliz, eu sou feliz”, afirmou em meio à folia.
 
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