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| Bloco seguiu pelas ruas da vila, por volta das 13h, ao som de marchinhas como "olha a cabeleira do zezé". Foto: Andréa Iseki |
ARTHUR GANDINI, via ABCD Maior
Moradores e visitantes da Vila da Paranapiacaba, em Santo André foram para a folia nesta segunda-feira (27/02) de Carnaval com o Bloco das Bruacas. Ao som de tradicionais marchinhas de Carnaval como “Olha a cabeleira do Zezé”, começou por volta das 13h e seguiu pelas ruas da vila puxado por carro de som, banda e, principalmente, homens travestidos de mulheres, costume que dá nome ao bloco. Foliões também pulavam o bloco junto com a família.
“É ótimo o bloco, bem familiar, não tem aquela bagunça”, afirmou o funcionário público Flavio Isao, 57 anos, que mora na Capital e veio pela primeira vez à atração, após ficar sabendo dela pela internet. Flavio veio com a esposa e filhos e não estava caracterizado. “Na minha idade, não dá mais”, argumentou.
O aposentado Josemerce Dias, 66 anos, conta que pula Carnaval na vila desde criança. Entra na folia com os amigos e gosta do bloco para lembrar a adolescência. “Eu nasci aqui e os meus amigos tocam desde que a gente era moleque. Passei minha juventude aqui”, revelou.
O grupo carnavalesco foi criado após a proibição do Bloco das Mocréias em Ribeirão Pires. A determinação de acabar com o bloco em Ribeirão foi decisão da Prefeitura, em 2012, por conta da falta de segurança e de conflitos entre os foliões. “É bom, é gostoso e eu gosto. Cresci vendo o Carnaval. Quando não venho, fico doente”, conta o aposentado Jorge Cassiano, 65 anos, um dos organizadores e membro da banda Kaxambu, que anima o bloco.
Policiamento e preconceito
Apesar da alegria, o organizador também reclama da falta de policiamento. “Quando crescer muito, (o Bloco das Bruacas) vai acabar também, porque a Prefeitura (de Santo André) não dá segurança. Mas, independente de nós, o Carnaval não pode acabar”, defende o folião.
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| A transformista Tina Tayler diz lamentar quem tenha preconceito fora da folia. Foto: Andréa Iseki |
Adriana afirma gostar do costume dos homens virem vestidos de mulheres ao bloco, mas acredita que a caracterização não reduz o preconceito contra travestis. “O preconceito está no dia a dia. Não está na festa do Carnaval, ela se torna uma hipocrisia”, critica.
A transformista Tina Tayler, 55 anos, que costuma vir se apresentar no bloco e gosta da atração por apresentar uma batida diferente, diz que lamenta o preconceito. “Eu sinto muito por quem não é feliz, eu sou feliz”, afirmou em meio à folia.

