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| Foto: Arthur Gandini |
Os convidados especiais da 10ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, o diretor de festivais musicais marroquino, Brahim el Mazned, e o jornalista e crítico de cinema sírio, Alaa Karkouti, participaram, no último sábado (15), no CCBB-SP, de encontro com o público, após a exibição do filme "Festival Pan-Africano de Argel", na sessão “Cinema, Literatura e Música”, ressaltando a importância de ir além das notícias da mídia para entender as complexidades do mundo árabe e destacando o papel da Mostra Mundo Árabe de Cinema na disseminação da cultura no Brasil.
“É fundamental colocar a cultura no centro do debate”, afirmou Mazned, que é referência internacional no cenário musical árabe, de produção e organização de encontros e festivais artísticos. “Essa mostra é muito importante para o brasileiro saber o que acontece no mundo árabe. A mídia gosta de falar das coisas negativas e deixa de falar das coisas boas”, disse.
Mazned é um dos idealizadores do Visa For Music Festival no Marrocos, que busca dar visibilidade aos artistas da África e do Oriente Médio no âmbito internacional, regional e nacional. Ele falou sobre a diferença entre a produção de eventos culturais em países da África e no resto do mundo, por exemplo. “Na Argélia, esses eventos são patrocinados pelo Estado. Não há apoiadores”, observou.
Alaa Karkouti falou sobre a velocidade com que a cultura tem se difundido hoje no mundo, em sua visão. “Estamos vivendo outro momento da cultura. Se você pensar, 20% da população mundial já visualizou esse vídeo”, disse sobre a música Gangnam Style. “Não se sabe o que ele (o cantor Psy) está falando, pode até estar te xingando em coreano”, brincou.
O também editor-chefe da Good News Magazine, uma das maiores revistas de cinema no mundo árabe, recomendou ao público do debate que assista na Mostra ao filme “Underground na Superfície”. A película teve exibição neste domingo (16) no CCBB-SP e poderá ser vista de novo no CCBB-RJ, no dia 23, e na Matilha Cultural, em São Paulo, no dia 30.
“Trata-se de jovens criando (o estilo musical) electro chab, que nasceu nas regiões mais pobres e acabou virando uma tendência entre as pessoas mais ricas do Egito”, indicou Karkout, após falar sobre o poder das redes sociais.
O jornalista observou o fato de o estilo mostrar jovens com armas e foi lembrado pelo mediador do debate e curador da Mostra, Geraldo Adriano, de que no Brasil também ocorre o mesmo com o funk. O debate também entrou na questão de mistura cultural e de identidades no mundo árabe e em todo o planeta. “Mas não existe nada no mundo como o samba do Brasil”, disse Karkouti, encerrando a sua fala em tom humorado, o que Geraldo também disse concordar.
Confira a programação completa da Mostra: http://www.icarabe.org/noticias/10a-mostra-mundo-arabe-de-cinema-estreia-em-sao-paulo-no-dia-12
