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| Sacerdote é o responsável pela Casa do Migrante. Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados |
ARTHUR GANDINI, via A Igreja Paulistana
O pároco da Igreja Nossa Senhora da Paz, na Região Sé, Paolo Parise, afirmou nesta quarta-feira (15) que as argumentações "se tornam absurdas" em boatos como o relacionado a imigrantes haitianos que circulou na manifestação da Avenida Paulista contra o governo no último domingo (12).
Pesquisa divulgada ontem pela professora de relações Internacionais da Unifesp, Ether Solano, e pelo filósofo da Usp, Pablo Ortellado, mostrou que 42% dos manifestantes acreditavam que "o PT trouxe 50 mil haitianos para votar na Dilma nas últimas eleições".
"É normal ter opções partidárias e criticar o 'adversário político', mas às vezes as argumentações se tornam absurdas como nesse caso", afirmou o sacerdote ao Paulistana por e-mail.
Parise também é responsável pela Casa do Migrante, que acolheu os haitianos em São Paulo que estavam sendo enviados pelo governo do Acre no ano passado. O sacerdote chegou na época, em comício do Dia dos Trabalhadores, a pedir ajuda pública ao então ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.
Para o padre, "falta lógica e coerência" nos boatos contra os imigrantes.
"É só ter um mínimo de conhecimento de como funcionam os fluxos migratórios e dá para perceber a falta de lógica. São alucinações! Quarenta ou cinquenta mil haitianos é um número pequeno diante do tamanho do Brasil", afirma Paolo sobre até o rumor de que eles formariam um "exército".
O sacerdote ainda lembra que os imigrantes não podem votar no país.
Pesquisa
O estudo mostrou que a maior parte dos manifestantes concordava com outros boatos como "O PT quer implantar um regime comunista no Brasil (64%)", "Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, é sócio da Friboi (71%)", "O Foro de São Paulo quer criar uma ditadura bolivariana no Brasil (55%)" e "O PCC é um braço armado do PT (53%)".
Enquanto 21% dos participantes da manifestação diziam "confiar muito" na imprensa, o número subia para 47% em relação a obtenção de informações políticas por meio do Facebook.
Para a professora Ether Solano, em declaração à revista Carta Capital, as redes sociais são uma possível fonte de desinformação.
"Os manifestantes confiam muito em comentaristas políticos polêmicos e se informam pelas redes sociais, isso alimenta boatos e a desinformação", disse.
A pesquisa entrevistou 571 pessoas entre as 13h30 e 17h30 do último domingo, possui margem de erro de 2,1% e está disponível online.
