11 de set. de 2013
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“O PT deixará de ser partido se não defender o socialismo”, diz petista de São Bernardo

11.9.13
Para candidato a presidência da sigla na cidade, partido mantém os mesmos ideais do passado

ARTHUR GANDINI

O PT defende o socialismo como defendia há décadas quando surgiu. É o que afirma o candidato à
De acordo com o petista, o socialismo se cresce com
"distribuição de renda".  Foto: Portal Metodista
presidência do PT em São Bernardo, Luiz Silvério Silva. “[O PT] deixará de ser partido se não defender. O Congresso do PT, que é o órgão máximo, defende o socialismo. Agora, tem modelo pronto? Não tem.”

A declaração foi dada em palestra sobre política para alunos de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo na primeira segunda do mês (2). “O CNB [grupo majoritário da sigla] defende plenamente. O socialismo se cresce aí, distribuindo renda com a população”, afirmou ele em relação aos programas sociais desenvolvidos nos últimos anos pelo partido.

A resposta veio após a discussão sobre o PT ter defendido um Brasil socialista, onde o Estado se apropriaria dos meios de produção e redistribuiria as riquezas do país, e hoje governar um país de economia de mercado. “[A reportagem] falou que o Lula disse que nunca os empresários ganharam como no governo dele. É porque a economia está crescendo”, afirmou Silvério. “A pirâmide continua com tudo concentrado no pouquinho [na classe do mais ricos], enquanto não quebrar isso, eles também crescem. Mas essa estrutura não depende de partido, depende da sociedade romper.”

Corrupção – O candidato à liderança do PT na cidade também foi questionado sobre ums mudança da conduta ética da sigla nas últimas décadas. Nos anos 80, o partido fazia oposição ao governo federal com a bandeira do combate à corrupção e chegou a passar uma propaganda política com ratos roendo a bandeira do Brasil na campanha presidencial de 2002 quando o então candidato Lula foi eleito. O partido, anteriormente, era contra o uso do marketing em campanhas. Hoje, exibe comerciais produzidos por marqueteiros e seu governo é envolvido em casos de corrupção, como o do Mensalão de 2005 que terá o julgamento finalizado esse ano.

“A corrupção tornou-se muito claro no governo Lula porque passou à polícia [federal] a cuidar, então começou a pegar [pessoas do governo]. Ele [o PT] tenta adotar uma posição diferenciada. Quanto à campanha, acho muito difícil escapar de financiamento privado [onde ocorre desvio de verbas]”, afirmou Silvério.

“O partido mantém o compromisso com a ética. Quem é pego em falhas, ele vai embora do partido e se ele perde o mandato, companheiro tem que pegar. Acho que o partido não pode ser conivente”, afirmou Luiz. Entretanto, alguns membros influentes no partido e condenados pelo STF no caso do Mensalão, por exemplo, não foram expulsos do partido. José Dirceu é defendido como inocente pelo PT que também apoia a continuidade do mandato de deputado federal de José Genoíno, também condenado pelo episódio.

Oposição – Para o candidato a presidência as Sigla, o partido que está há dez anos no poder do país não é o único responsável pela manutenção da democracia no país frente ao enfraquecimento de outras siglas. “O PT é um partido que tem consistência política, ideologia, os outros são um ‘ajuntado’, mas o PSDB tem um pouco e o DEM também um pouco, os demais não chegam a ter uma coalizão ideológica”, afirma.

Para o petista, as manifestações que ocorreram por todo o país em junho não demonstram esgotamento da força da sigla. “A representatividade [do PT] nas classes populares e na população em geral existe, o governo ainda representa de um modo positivo. A população mais desfavorecida percebe que com esse governo as coisas chegam, seja através de casa [programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ e medidas compensatórias como o Prouni”, afirmou Silvério.

Ouça trecho da entrevista:

 
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