5 de fev. de 2013
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ABCD precisa ampliar sua integração, diz pesquisadora

5.2.13
Economista afirma que integração econômica das
 cidades precisa melhorar. Foto: Amanda Perobelli
Silvia Okabayashi diz que objetivo do Observatório da Metodista é compensar falta de dados sobre a Região

ARTHUR GANDINI, via ABCD Maior
(Também na edição impressa)

Apesar de ter uma economia forte, o ABCD precisa de maior integração econômica. O Consórcio Intermunicipal e a Agência de Desenvolvimento Econômico foram criados também para esse fim, mas ainda são necessários mais esforços para uma atuação conjunta. Além disso, é preciso dar maior atenção às microempresas, maiores geradoras de postos de trabalho. É o que diz Silvia Okabayashi, coordenada do Observatório Econômico da Universidade Metodista, em entrevista ao ABCD MAIOR. Também professora do curso de Ciências Econômicas da Metodista, Silvia contou que a indústria ainda é a base da economia da Região, mesmo com o crescimento do setor de serviços.

ABCD MAIOR –Qual o objetivo de atuação do Observatório em relação à economia da Região?

Silvia Okabayashi – A ideia é se tornar um centro de referência de estudos para a Região. A gente tem uma deficiência no que tange à formação de pesquisas. E o intuito é auxiliar com dados a sociedade, empresas e governo. A maior parte das pesquisas divulgadas é por país, estado, região metropolitana. Mas a gente tem uma economia muito considerável que não dá para ficar de fora das análises.

Quando surgiu o Observatório e de onde veio a ideia?

O curso de Ciências Econômicas [da universidade] em 2011 completou 10 anos. O Observatório vem da necessidade da Região de ter dados e da necessidade do nosso público interno. Começamos em agosto de 2010 com a pesquisa de intenção de compra no Dia das Crianças.

Como vocês enxergam a integração econômica da Região?  O Observatório surgiu como um meio de ajudar a manter essa regionalidade? O Consórcio Intermunicipal cumpre bem esse papel?

O Consórcio foi criado para isso, para atender demandas regionais que sozinhas as cidades não teriam força o suficiente para enfrentar. Eu percebo a atuação, tanto do Consórcio como da Agência de Desenvolvimento Econômico um pouco mais branda nesse sentido. Está faltando um pouco mais de energia neste processo.

Falta mais agilidade?

Sim, e a atuação de uma forma mais contundente. A Região muito rica, com um potencial de consumo enorme (R$ 50,15 bilhões em 2012), com um parque industrial enorme e que pode ser muito melhor aproveitada nesse sentido. O Observatório vem também como um elo para a Região. São cidades geograficamente próximas, mas que se a gente observar tem caracterizações um pouco diferenciadas. A gente tem grandes cidades como São Bernardo, Santo André e Diadema, maiores em espaço. Mas temos Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires que são menores, mas que fazem fronteiras com quase todas. Então a gente precisa tratá-las de tal forma a agregar mais valor para a economia dessas cidades. Estando juntas, certamente a força delas será maior.

Como o Observatório vê o crescimento do setor de serviços na Região?

É um fato. O setor de serviços cresce porque a renda aumenta. As pessoas só vão utilizar serviços se tiverem renda disponível. E quem sustenta essa renda na Região são as indústrias. Os maiores salários são ainda pagos pela indústria. É de posse dessa renda considerável que eu consigo fomentar um setor de serviços para a Região. E é crescente enquanto houver um movimento de renda sustentando pelo setor secundário, assim eu consigo fomentar o terciário, o de serviços.

A indústria ainda é a base? Se cair, o outro também cai?

É o setor em que o emprego formal é muito mais característico. Dificilmente você vai ter uma indústria de médio, grande porte em que o emprego não seja formal. Outra caracterização da nossa Região é que a gente tem um nível de escolaridade até razoável (Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico no ABCD é de 5,72, contra 5,0 como média nacional). Quanto maior o nível, maior a renda. Nós temos universidades aqui, uma renda alta nesse meio e isso fomenta o setor de serviços.

Algumas fábricas saíram do ABCD. Podem voltar ou outras também saírem?

Dentro dessa perspectiva de terem ido embora em busca de um menor custo de operação, seja pelo local escolhido ter um terreno mais barato ou uma mão de obra mais barata, acho isso um pouco visionário sem ser feito com estudos e dados concretos. Grande parte dos nossos fornecedores está na nossa Região, na região metropolitana. O custo logístico e operacional é muito alto quando você está distante desse grande centro industrial em que a gente vive. Se umas foram, algumas podem retornar sem problema algum. A mão de obra mais qualificada está nos grandes centros, os grandes fornecedores.

Como poderia ser melhorada a integração econômica na Região?  E o que Observatório pode fazer em relação a isso?

A gente tem buscado contato com agentes externos à universidade. O primeiro passo foi a parceria com as associações comerciais. Estamos também nos aproximando do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) regional de São Bernardo. A gente tem tudo para fazer essa integração e contribuir com a Região, essas parcerias são muito bem-vindas. O apoio que as associações vêm dando para a gente é algo estrondoso. Aí nós abrimos espaço para elas fazerem parte do projeto (discutindo os resultados, por exemplo).

Vocês vêm a integração econômica no ABCD como satisfatória ou pode melhorar?

Eu acho que pode melhorar muito, muito mesmo. A sensação que eu tenho é que se tem muito a fazer. Houve boas iniciativas, mas por vezes não tiveram oportunidade. Existiram algumas iniciativas de arranjo produtivo local, oferta de treinamento para microempreendedores, isso pode ser alavancado. Pensou-se já em uma central de compra em conjunto para alguns setores de atividade, em especial formadas por microempresas para reduzir o custo de matéria-prima ou de outros produtos. Mas essas iniciativas começaram e pararam. Ou não conseguem seguir em frente, ou precisam de um estímulo maior.

Falta um pouco de vontade do Consórcio?

Não sei, ou há dificuldade para acontecer ou falta iniciativa. Nós precisamos lembrar que são as grandes empresas, embora não tendo os salários mais altos, são grandes geradoras de empregos. Porque não têm o processo produtivo tão avançado (com mais máquinas), e então demandam mais mão de obra. Isso é importante, pois a economia só funciona com emprego. Então as pessoas precisam estar empregadas, ter renda e consumir. À medida que não há empresas empregando, não tem renda e não tem consumo. Nós precisamos ter também um olhar cuidadoso com as microempresas.
 
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