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| Alexandre Loloian explica que o crescimento econômico ajudou a diminuir a desigualdade entre negros e não negros, mas a diferença ainda persiste. Foto: Divulgação |
ARTHUR GANDINI, via ABCD Maior
A taxa de desemprego de trabalhadores negros na Região diminuiu de 26,8% no biênio 2000-2001 para 11,7% no biênio 2010-2011. A redução foi maior do que a do mesmo período entre as pessoas não negras (18,9% para 9%). A total entre negros e não negros foi de 21,4% para 9,9%. Os dados são de estudos feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em parceria com o Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados).
Para Alexandre Loloian, coordenador da equipe que analisou a pesquisa, os números representam um redução da desigualdade racial no mercado de trabalho do ABCD. "Saiu-se de uma taxa de desemprego de quase 27% para um taxa de quase 11% [no caso dos negros]. A razão disso foi o crescimento econômico [no Brasil]. O crescimento se manteve mesmo com uma pequena interrupção em 2009 [com a crise financeira estaduniense do ano anterior]. Se criou muito emprego e isso vem absorvendo as pessoas que vão se capacitando para isso", afirma Loloian.
Diferença de remuneração - Entretanto, a proporção do rendimento salarial dos que se declaram negros em relação aos não negros diminuiu entre os períodos analiasados. No primeiro biênio, os negros ganhavam o equivalente a 61,4% do que os não negros. Entre 2010 e 2011 o número reduziu-se para 59,9%.
"O crescimento econômico diminuiu a desigualdade entre negros e não negros, mas ela foi muito pequena", afirma o coordenador. "Os rendimentos dos não negros ainda é superior. Ainda há muitas desigualdades que só o crescimento econômico não é suficiente para eliminar". Para Loloian, o Estado precisa criar políticas que ajudem ao negro se inserir no ensino superior de modo que possam prencher novas vagas de trabalho, como as cotas raciais e sociais e o financiamento estudantil em universidades, já exercidas há alguns anos. "São políticas que contribuem".
Em agosto desse ano foi sancionada lei nacional, por exemplo, que determina cota de 50% para estudantes vindos de escola pública nas universidades federais. Dentro desse número haverá a distribuição das vagas entre negros, pardos e indígenas de acordo com a porcentagem das etnias na população de cada uma das 26 federações.
Ainda em relação a proporção de rendimento de negros para não negros entre os dois biênios, no setor industrial da Região foi de 58,5% para 58% (-0,5%); no de comércio de 60,5% para 66,4% (+5,9%); no de serviços de 65% para 59,2% (-5,8%); e no de serviços domésticos cresceu de 91,9% para 94,7% (+2,8%). Alexandre Loloian aponta que a diferença de rendimento diminuiu nos setores em que é preciso mais mão de obra especializada. A causa seria o fato de parte considerável da população de baixa renda e instrução ser negra.
Desigualdade – Para Leon Padial Santos, coordenador do Grupo de Trabalho Igualdade Racial do Consórcio Intermunicipal, a pesquisa é importante para mostrar como ainda existe a desigualdade entre negros e não negros no ABCD e em outras Regiões. "Muita gente tenta desenvolver uma ideia de democracia racial no Brasil, mas isso não existe, é apenas um mito para esconder a desigualdade", afirma Padial.
