7 de out. de 2012
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O líder dos mesários

7.10.12
Leandro tem seis anos de trabalho pela democracia.
 Foto: Andris Bovo
Certeza de ter contribuído para a democracia na cidade e no País

ARTHUR GANDINI, via ABCD Maior
(Também na edição impressa)

Cidadania, responsabilidade e patriotismo. É assim que Leandro Bittencourt, técnico de TI de 30 anos, classifica sua função de mesário. Leandro não é qualquer um não. É um mesário de longa viagem. Foi chamado pela Justiça para desempenhar a função na eleição de 2000. Ocupação obrigatória por lei quando escolhido, não podia dizer não. Com pouca vontade de perder um domingo de descanso do trabalho, seguiu em frente. Hoje, depois de seis eleições, é o presidente da seção.

Leandro conta que a rotina do mesário não cansa fisicamente, mas dá uma baita dor de cabeça. Começa semanas antes da eleição, nas reuniões para se preparar para o evento. Em sua seção, na escola Cristina Fitipaldi, em Santo André , só há uma pessoa que manda mais que Leandro: o juiz responsável pela sala de votação. Abaixo, um secretário e dois mesários sob seu comando. O que Leandro diz, está falado.

O expediente começa às 7h no dia da eleição. Deu o horário, todos têm de estar na sala e o negócio é sério. Leandro conta o caso de quem não acordou no horário e foi buscado pela polícia em casa.
Estão entre as atribuições dos mesários ligar a urna, ver se os cadernos de votação estão em ordem, se a cabine de votação não está danificada, se tem energia nas tomadas, e, principalmente, tomar conta das pessoas.

Há casos de eleitores que erram o número de votação e querem voltar atrás, mas não podem mais. Esquecem os documentos. Deixam de assinar a presença. Não sabem quantos numerais têm que digitar para cada cargo. Não confirmam o voto e saem da sala. Se o mesário não corre atrás e perde de vista o eleitor, a urna fica travada. E agora? O jeito é pedir para um juiz reiniciar a urna e ainda registrar o problema em cartório.

É uma grande responsabilidade tomar conta de cerca de 200 pessoas em um só dia. Leandro observa o perfil dos eleitores de sua seção. Nela, a maioria é de idosos. Mas tem também os militantes de partidos. Saem todos felizes da cabine. Cada voto é uma comemoração!

A maioria dos mesários não é voluntária, mas Leandro acredita que isso tem mudado nos últimos anos com mais consciência política, para o que contribuem os debates feitos pela da internet e redes sociais. Nosso presidente de seção não acha, nem legal, nem ruim ser mesário. É natural acabar se acostumando. A partir de cinco eleições, já é possível pedir dispensa da função, mas ele esqueceu nos dois últimos pleitos. Pensa em deixar a função, mas não decidiu ainda.

Deu 17h, expediente finalizado e certeza de ter contribuído para a democracia na cidade e no País, Leandro pode ir para casa. Além da cidadania, há outro benefício para a função. Por dia de trabalho como mesário, há a dispensa de dois no trabalho. E aí, você está esperando o quê para se candidatar a mesário?
 
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