![]() |
| Espíritas, de auto-ajuda e escolares são os tipos de livros mais vendidos na livraria Psico Cultural, em São Bernardo. Foto: Luciano Vicioni |
ARTHUR GANDINI, via ABCD Maior
(Também na edição impressa)
Os brasileiros devem gastar R$ 8,23 bilhões na compra de livros e outras publicações impressas em 2012, o que representa um aumento de 14,5% em comparação com o ano passado. Os dados são da Pyxis Consumo, ferramenta de análise do Ibope. A tendência de crescimento está relacionada ao impulso da classe C no mercado de consumo, conforme especialista.
Ainda de acordo com o Ibope, a classe B será a maior responsável pelo consumo com 51,85%, seguida pela C com 23,72%, e A e D/E com respectivamente, 20,73 e 3,7%.
“É uma boa notícia”, afirma Radamés Barone, coordenador do curso de ciências econômicas da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) sobre o crescimento do mercado. Para o professor, o aumento é um sinal de que a escolaridade está melhorando no País e um reflexo do impulso ao mercado da Classe C, a chamada “nova classe média” que aumentou a renda nos últimos anos.
“A leitura de livros está ligada a escolaridade e renda. Quanto mais lê, mais a pessoa começa a comprar livros. Um miserável também não tem dinheiro para comprar.”
O professor cita como estímulo à escolaridade programas educacionais do governo federal para inserção no ensino superior como o Prouni (Programa Universidade Para Todos) e o Sisu (Sistema de Seleção Unificada). Porém, para o professor o assistencialismo é bom, mas não basta. O caminho para o desenvolvimento do País é melhorar a escolaridade da população em todo o sistema de ensino, não só superior. Ler é também uma saída para as pessoas aprenderem mais e se prepararem para o mercado de trabalho.
Importação atrapalha segmento gráfico da Região
O aumento da compra de livros e outras publicações impressas pode ser pouco positivo para a economia brasileira. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Gráficos do ABCDMRP, empresas do setor vêm enfrentando dificuldades para competir com as importações de produtos do setor, como livros.
Muitas vezes é mais barato produzir publicações em outros países devido à mão de obra mais barata e encargos trabalhistas menores. No ABCD houve mais de três mil demissões do setor nos últimos três anos, conforme o sindicato.
De acordo com dados do SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), o mercado editorial brasileiro lucrou cerca de R$ 5 bilhões no ano passado. O lucro é 18% maior ao de 1990 no começo do levantamento. Também representa 58.192 títulos de livros diferentes e cerca de 500 mil exemplares vendidos.
Nova classe média pode comprar mais
André Luiz Alves, proprietário do Sebo em Busca do Saber, em São Bernardo, no Jardim Lavinia, conta que as vendas da loja subiram 25% em relação ao ano passado.
Para Alves, os sebos também possibilitam a quem subiu de renda recentemente poder comprar livros, no caso mais baratos que os originais. “A Classe C está aprendendo a brigar pelos seus direitos e a se instruir”.
Marina Balhe Lopes, atendente da livraria Psico Cultural do bairro de Rudge Ramos, em São Bernardo, afirma que o mercado está estável.
Ela conta que os livros mais vendidos são os espíritas, de auto-ajuda e escolares. Enquanto as escolas pedem que os alunos comprem livros, as universidades não fazem o mesmo e oferecem ensino mais desvinculado de livros. “Universidade tem a sua web, professor coloca a matéria lá, os slides com referência blibliográfica não são obrigatórios.”
Para Marina, a “nova classe média” tem a tendência de começar a comprar mais livros. “As pessoas da classe C vão investir na educação dos filhos ou até na sua educação mesmo. Vai comprar mais livros de auto-ajuda, livros de dicas”, afirma.
Mercado na área digital ainda é pequeno
De acordo com pesquisa do Ibope, 82% da população nunca leu um livro digital e 45% nem ao menos ouviu falar a respeito. Dos 18% que já tiveram contato com as obras digitais, 54% disseram ter gostado muito da experiência e 40% gostaram um pouco.
“É igual a experiência do e-commerce (comércio eletrônico) que foi crescendo aos poucos”, afirma Radamés Barone sobre o mercado digital. “Ainda está começando. A tendência é aumentar por ter mais facilidade ao comprador. Ele carrega vários livros digitalmente”.
Para Adolfo Lopes Neto, proprietário da Psico Cultural, o mercado de livros ainda vai crescer.“É um processo. Se você pegar uma pessoa com idade mais avançada ela tem um gosto pelo livro em papel. A juventude nasce, a primeira coisa que o papai dá é um computador. Se acaba mudando os hábitos e a cultura.”
