1 de jun. de 2012
0 comentários

Trabalhadores da Saned decidem manter greve até terça

1.6.12
Greve seguirá pelo menos até terça-feira (05/06).
Foto: Norberto da Silva
Se não houver acordo em próxima audiência, funcionários seguem sem previsão de retorno

Arthur Gandini, via ABCD Maior

Os trabalhadores da Saned (Companhia de Saneamento de Diadema) decidiram manter a greve pelo menos até a próxima terça-feira (05/06). Funcionários e direção não chegaram a um acordo em audiência de conciliação no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) nesta sexta-feira (01/06).

A paralisação teve  início nesta quinta-feira (31/05). Os trabalhadores pedem reajuste de 5,35% e a implantação do Plano de Cargos, Salário e Carreiras no município.

Para Rene Vicente, presidente do Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo), a reunião foi proveitosa: "Foi boa porque a diretoria da Saned tentou considerar a greve de abusiva (sem representação), mas o juiz a decretou válida", afirmou ele. "Eles usam como argumento a legislação eleitoral", disse o presidente, sobre o fato de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proibir em ano de eleição dar aumento aos funcionários acima da inflação. "Nós já conseguimos antes (o aumento acima da inflação)", diz ele.

O assessor técnico da presidência da Saned, Walter Rasmussen, que fala em nome da presidente Neuceli Bonafé, já havia dito que devido a legislação não é possível dar o aumento pedido: "Eu acho que talvez eles não tenham entendido (o impedimento do TSE) e não tenham conseguido explicar aos funcionários".

De acordo com Vicente, se não for acatada a reinvidicação salarial de 5,35% até terça-feira, a greve vai prosseguir até que se alcance o exigido: "Os trabalhadores estão dispostos a aguardar até uma audiência final. Não vamos desistir da greve até conseguir os 5,35%. Nossa esperança é que se mantenha esse patamar", afirma.

Briga entre a esquerda

Rasmussen nega as acusações de que a companhia não está dando importância aos trabalhadores: "Somos [a chefia] todos ligados à esquerda, a sindicatos. Nosso líder é o Lula. Não temos nenhum problema com as reinvidicações trabalhistas que são direitos dos trabalhadores".

O diretor de base do Sintaema, Jorge Luiz Aguiar, que teve uma discussão bastante acalorada no primeiro dia de greve com o assessor da presidência, junto com outros grevistas, afirma que os trabalhadores da companhia não são bem tratados pela chefia: "Há serviços atrasados devido a uma defasagem de funcionários. Não estão sendo abertos concursos para novas contratações e a demanda [de saneamento] da cidade está aumentando. Por isso nós estamos tendo excesso de trabalho." Aguiar ressalta que o problema do sindicato é com a chefia da Saned: "Nós somos do mesmo partido [que o governo]".

A assessoria da companhia não conseguiu entrar em contato com Rasmussen para falar sobre as reclamações dos trabalhadores. Em nota oficial, a Saned afirma que o Sintaema não cumpriu o contingente mínimo de 30% (trinta por cento) dos funcionários dos setores administrativos e de 50% (cinquenta por cento) dos funcionários dos setores operacionais trabalhando e por isso pediu uma nova audiência.
 
Toggle Footer
Topo