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| Greve seguirá pelo menos até terça-feira (05/06). Foto: Norberto da Silva |
Arthur Gandini, via ABCD Maior
Os trabalhadores da Saned (Companhia de Saneamento de Diadema) decidiram manter a greve pelo menos até a próxima terça-feira (05/06). Funcionários e direção não chegaram a um acordo em audiência de conciliação no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) nesta sexta-feira (01/06).
A paralisação teve início nesta quinta-feira (31/05). Os trabalhadores pedem reajuste de 5,35% e a implantação do Plano de Cargos, Salário e Carreiras no município.
Para Rene Vicente, presidente do Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo), a reunião foi proveitosa: "Foi boa porque a diretoria da Saned tentou considerar a greve de abusiva (sem representação), mas o juiz a decretou válida", afirmou ele. "Eles usam como argumento a legislação eleitoral", disse o presidente, sobre o fato de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proibir em ano de eleição dar aumento aos funcionários acima da inflação. "Nós já conseguimos antes (o aumento acima da inflação)", diz ele.
O assessor técnico da presidência da Saned, Walter Rasmussen, que fala em nome da presidente Neuceli Bonafé, já havia dito que devido a legislação não é possível dar o aumento pedido: "Eu acho que talvez eles não tenham entendido (o impedimento do TSE) e não tenham conseguido explicar aos funcionários".
De acordo com Vicente, se não for acatada a reinvidicação salarial de 5,35% até terça-feira, a greve vai prosseguir até que se alcance o exigido: "Os trabalhadores estão dispostos a aguardar até uma audiência final. Não vamos desistir da greve até conseguir os 5,35%. Nossa esperança é que se mantenha esse patamar", afirma.
Briga entre a esquerda
Rasmussen nega as acusações de que a companhia não está dando importância aos trabalhadores: "Somos [a chefia] todos ligados à esquerda, a sindicatos. Nosso líder é o Lula. Não temos nenhum problema com as reinvidicações trabalhistas que são direitos dos trabalhadores".
O diretor de base do Sintaema, Jorge Luiz Aguiar, que teve uma discussão bastante acalorada no primeiro dia de greve com o assessor da presidência, junto com outros grevistas, afirma que os trabalhadores da companhia não são bem tratados pela chefia: "Há serviços atrasados devido a uma defasagem de funcionários. Não estão sendo abertos concursos para novas contratações e a demanda [de saneamento] da cidade está aumentando. Por isso nós estamos tendo excesso de trabalho." Aguiar ressalta que o problema do sindicato é com a chefia da Saned: "Nós somos do mesmo partido [que o governo]".
A assessoria da companhia não conseguiu entrar em contato com Rasmussen para falar sobre as reclamações dos trabalhadores. Em nota oficial, a Saned afirma que o Sintaema não cumpriu o contingente mínimo de 30% (trinta por cento) dos funcionários dos setores administrativos e de 50% (cinquenta por cento) dos funcionários dos setores operacionais trabalhando e por isso pediu uma nova audiência.
