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| Rene Vicente: decisão sobre dias parados foi momento mais tenso. Foto: Divulgação |
ARTHUR GANDINI, via ABCD Maior
Foi proposto nesta terça-feira (05/06), na segunda reunião de conciliação dos trabalhadores e da chefia da Saned (Companhia de Saneamento de Diadema), na sede do TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região), que a Saned, em resposta a greve que começou na última quinta-feira (31/05), concederá aos funcionários aumento de 10% do vale-refeição e de 6,17% sobre o salário e outros benefícios.
O Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo) exigia o aumento de 5,49% dos salários, segundo o índice Dieese - e não de 5,35%, como o diretor de base, Luiz Aguiar, havia afirmado à reportagem. O sindicato realizará uma assembleia nesta quarta-feira (06/06), na sede operacional da companhia, onde o fim da greve será encaminhado e colocado para votação entre os trabalhadores.
"Foi de entendimento da diretoria [do sindicato] que se chegou ao limite das negociações", afirmou o presidente do Sintaema, Rene Vicente. "Nós achamos que é passível de aceitação", diz ele sobre o aumento de 6,17%.
A diretoria da Saned havia declarado que não era possível conceder aos funcionários o aumento de 5,49%, devido a TSE (Tribunal Superior de Justiça) proibir que seja concedido aos trabalhadores aumentos acima da inflação. Entretanto, segundo Vicente, o juiz entendeu que a lei não cabia neste caso. "O juiz decidiu que, como ano passado não foi dado aumento aos funcionários, sabendo-se que a lei eleitoral esse ano proibiria um aumento, então que a lei eleitoral não seria aplicada agora", declarou Vicente.
O presidente afirmou que o momento mais "tenso" da reunião foi na decisão sobre os dias parados durante a greve. "A Saned exigia que os trabalhadores devolvessem [o salários] os dias parados. O juiz optou pela compensação de 12h, uma por dia".
Falta de mão de obra
Vicente minimizou as reclamações feitas anteriormente, pela diretoria do sindicato, sobre a sobrecarga de trabalho dos funcionários da Saned. "Há 35 trabalhadores afastados, mas por diversos motivos, não só por haver falta de mão de obra. Há suporte do INSS a esses afastamentos", afirma ele. Mas reintera: "O sindicato vem reinvidicando mais funcionários, tem sido feitos poucos concursos para contratar a mão de obra que falta".
A assessoria da Saned esclareceu, por meio de nota oficial, que é " do conhecimento público que a Companhia está em negociação com a Sabesp para a criação de uma nova empresa" e que "por este motivo, não realizou concurso." A nota completa que tal fato "não prejudicou os serviços prestados à população", tanto que o seu SGQ (Sistema de Gestão da Qualidade) acaba de ser certificado novamente.
