26 de mai. de 2012
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“A verdade é que a área está saturadíssima”, diz jornalista recém-formado sobre o mercado

26.5.12
(Entrevista realizada em Abril do ano passado com o meu amigo Bruno Ferreira para o Blog Caminhos do Jornalismo. É interessante para nós refletirmos como o mercado de trabalho não está fácil, incluso na área jornalística.)

Bruno Ferreira, 24, jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo, contou ao Caminhos, em entrevista realizada em Abril, que o mercado jornalístico se tornou mais competitivo e saturado em relação ao século anterior, devido à profissionalização da carreira e a criação do curso universitário.

O jornalista, formado em 2009, fez estágio em rádios, na assessoria de imprensa da Câmara de São Paulo, em uma revista sobre logística, e é fluente em inglês e italiano. Tal currículo, entretanto, não o impediu de ficar um ano e seis meses desempregado tendo trabalhado apenas como freelancer, até arrumar emprego recentemente, enquanto respondia as perguntas do blog por e-mail.

Bruno destaca a prática do “quem indica” na área, quando jornalistas são contratados através da recomendação de conhecidos, que trabalham no meio jornalístico.

Também considera de grande importância o estudante fazer projetos e cursos na área, já que estes ajudam o jornalista a construir seu portfólio. Demonstra que a invenção da internet serviu mais para o jornalismo como um modo de acelerar a disseminação da informação do que como para criar vagas de trabalho.

Segundo ele, o nome da faculdade conta pouco na hora de ser contratado, o que vale mais são as “experiências profissionais anteriores”.

Bruno está empregado hoje na ONG Viração Educomunicação.

Confira a entrevista a seguir.

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Caminhos – Para começar, vamos falar um pouco sobre sua história como jornalista. Quando pela primeira vez você sentiu vontade de seguir esta carreira e decidiu que era o que queria para sua vida? De onde vieram as influências que lhe fizeram tomar esta decisão?

Bruno - O desejo pela comunicação surgiu desde cedo quando minha professora de Português da 5ª série me incentivou a cursar Comunicação em razão da qualidade das minhas redações, nas quais, segundo ela, utilizava um vocabulário muito elaborado e uma boa linha de raciocínio para uma criança de 11 anos. A partir de então, passei a observar mais os programas de TV e a me interessar pelo vídeo de um modo geral. Mas até a segunda série do Ensino Médio ainda estava dividido entre a carreira em Comunicação e a Educação. Pensava muito na possibilidade de ser professor de Português.
Mas como eu dizia, no segundo ano do ensino médio surgiu a oportunidade de participar de um projeto chamado Idade Mídia, ministrado pela ONG Cidade Escola Aprendiz, para alunos do Colégio Bandeirantes, no próprio colégio, na Rua Estela, no Paraíso. Esse projeto tratava-se de um curso sobre técnicas de redação, entrevista e apuração jornalística e crítica da mídia para estudantes do colégio.
A ONG sempre selecionava três alunos do segundo ano do Rui Bloem para participarem do projeto. Sabendo do meu interesse pela carreira, os professores do “Rui” me selecionaram para integrar o trio que faria o curso no Bandeirantes.
O curso me antecipou muita coisa que aprendi na faculdade, como a elaborar um lead, a não adjetivar textos jornalísticos, a ser conciso, a usar aspas em uma matéria, além de observar os meios de comunicação com um olhar mais criterioso, crítico, analisando jornais, revistas e emissoras de TV, como empresas com interesses políticos e econômicos.
O resultado final do curso e de visitas a redações e emissoras de rádio e TV foi um Fanzine (revista amadora), chamada Voz!, para a qual escrevi uma matéria com meus dois colegas do Rui Bloem sobre a obsessão pela beleza entre os jovens.
Essa experiência me deu a certeza de que o Jornalismo me realizaria profissionalmente. Mas durante a faculdade fui me despindo das impressões românticas da carreira, percebendo que o Jornalista quase nunca tem liberdade para fazer seu trabalho, pois está limitado a uma série de fatores, como: chefia, posicionamento da empresa para a qual trabalha, fundamentar tudo o que diz nas fontes e pesquisas, dependência total de fontes, muitas vezes desinteressadas em dar declarações e entrevistas, etc.
Mas o Jornalismo me fascina pela possibilidade de estarmos sempre aprendendo coisas novas, pois a nossa tarefa é descobrir e questionar para informar o público com qualidade.

Caminhos - Na sua opinião, ter cursos e projetos de jornalismo no currículo faz muita diferença na hora de ser contratado?

Bruno - Sem dúvida faz muita diferença sim. O curso de jornalismo por si só não é o suficiente para conseguir uma posição bacana. É interessante fazer cursos de línguas e outros relacionados aos temas de interesse de cada um.
Projetos são interessantes para o aprendizado, mas também servem como portifólio. Mas o interessante mesmo é não fazer o projeto apenas por fazê-lo e depois engavetá-lo. O ideal é tentar emplacar matérias que você escreveu, fotografias que tirou, entrevistas que fez nos meios de comunicação, começando pelos jornais de bairro e comunitários que sempre precisam de material e colaboradores.
O material que você produz só é bem visto, bem aceito, quando publicado na mídia, seja ela qual for.
No início da faculdade, é legal fazer uma pesquisa de jornais de bairros e rádios comunitárias, ou rádio webs que aceitem colaboração voluntária para que o aluno vá aos poucos construindo uma experiência e deixando o currículo cada vez mais atrativo.

Caminhos - Em qual universidade você estudou jornalismo? Ela sempre te deu as orientações necessárias sobre como lidar com o mercado de trabalho?

Bruno - Estudei na Universidade Metodista de São Paulo.
As orientações acerca do mercado de trabalho em sala de aula aconteciam mais nos primeiros semestres, nos quais o aluno tem apenas uma ideia de como seja o trabalho jornalístico em uma empresa de comunicação.
Depois, as orientações ficavam por conta dos Encontros de Jornalismo e outros eventos promovidos pela Faculdade de Comunicação, reunindo profissionais de Jornalismo e Comunicação de diversas mídias para falarem aos alunos sobre suas experiências.
Esse contato era muito rico e importante para refletirmos sobre a carreira, seus aspectos negativos e positivos, além de absorver um pouco da experiência de grandes nomes do Jornalismo, como Caco Barcellos, Ricardo Kotscho, Paulo Henrique Amorim, etc, que palestraram na Metodista, enquanto fui aluno da Universidade.

Caminhos - Se formar o mais cedo possível aumenta as chances de ser contratado?

Bruno - Eu concluí o curso com 23 anos. Creio que a idade é o que menos importa. O que vale é a bagagem, as experiências vividas durante a graduação e o perfil do formando.

A questão do ‘Quem Indica’ é muito forte mesmo na área
Hoje em dia o mercado é muito mais competitivo e saturado com relação ao século passado

Caminhos - Durante o curso, você trabalhou na área por meio de estágios ou trainee?
E assim que se formou, encontrou dificuldades para arrumar emprego como jornalista?

Bruno – Enquanto eu estudava, fiz dois estágios e um trabalho voluntário. Comecei fazendo participações em um programa de uma rádio comunitária de São Bernardo. Um colega de classe me indicou o contato de um locutor da rádio e comecei a preparar boletins semanais sobre saúde e comportamento, lidos ao vivo durante o programa e comentados por mim e pelo apresentador do programa. Esse foi o trabalho voluntário, que exerci por cerca de sete meses.
Isso foi no final do 2º semestre. No início do 4º semestre consegui meu primeiro estágio, em uma revista sobre logística, onde fiquei de julho a outubro de 2007, apenas 3 meses, pois surgiu a oportunidade de trabalhar na assessoria de imprensa da presidência da Câmara Municipal de SP, onde fiquei até outubro de 2009, dois anos, portanto.
Saí da Câmara faltando dois meses para a minha formatura. Tive que sair, pois órgãos públicos não efetivam estagiários. O máximo de permanência são dois anos para estagiários.
Mas em dezembro de 2009 consegui um “freela” em uma revista para escrever todas as matérias das edições, e infelizmente, foi tudo o que eu consegui depois de formado.
Desde novembro do ano passado tento emplacar uma empresa de comunicação com três amigos, um deles foi meu colega de faculdade, mas temos muita dificuldade de conseguir fechar contratos. O bom é que temos muitos contatos de pessoas que se mostram interessadas em desenvolver projetos conosco, mas os clientes enrolam muito, são pouco objetivos e, por isso, ainda não concretizamos nenhum projeto.
Mas paralelamente a isso, continuo participando de processos seletivos em empresas e fazendo esse “freela” na revista. Mas a procura tem sido muito difícil, desgastante. Já estou desempregado há 1 ano e seis meses! É frustrante! E meu currículo não é ruim, pois tenho Inglês e Italiano avançados, além de Espanhol em nível intermediário, e boas experiências profissionais. O mercado está bem complicado, pelo menos pra mim... Percebo que é necessário fazer contatos porque a questão do "Quem Indica" é muito forte mesmo na área.

Caminhos - Você teve dificuldade para conseguir esses estágios? Na sua opinião, foram eles insuficientes para te inserir melhor no mercado trabalho?
A que fatores você atribui em geral essa dificuldade de ser contratado, além da falta de indicações? Por que essas são tão necessárias?

Na verdade não acho que indicações sejam necessárias. Pelo contrário. Eu acho que se as pessoas conseguissem trabalho por mérito e não porque são amigas de pessoas influentes, as coisas seriam melhores. E na área há muito disso. Alguém ocupa determinada vaga porque é amigo do chefe e não necessariamente passou por um processo de seleção justo.
A verdade é que a área está saturadíssima e não culpo as minhas experiências anteriores por isso. Pelo contrário. Fazer estágio numa assessoria de imprensa da presidência da maior Câmara Municipal do país enriquece qualquer currículo, por ser uma grande escola, em todos os sentidos.
Não tive maiores dificuldades para conseguir estágio. Na verdade, comecei a procurá-los a partir do segundo semestre e só encontrei no início do 4º, mas realmente é muito difícil conseguir um estágio bacana antes do 3º semestre. O primeiro estágio consegui mandando currículos e fazendo entrevistas. Na Câmara, entrei porque um colega de classe estava saindo da Câmara e me indicou para ocupar a sua vaga, e então fiz uma entrevista com a pessoa que seria a minha chefe. Mas ela fez entrevista com outras pessoas também, ou seja, não me contratou imediatamente, apenas porque o meu colega me indicou para ela.
Creio que não há qualquer fator que determine a minha falta de sucesso em conseguir um trabalho na área além de falta de sorte. É como eu disse anteriormente: acredito que tenho um bom currículo e me porto adequadamente nas entrevistas, ou seja, faço a minha parte. Mas sempre há candidatos que jogam a pretensão salarial lá em baixo e, por isso, eles podem ter vantagens, embora eu sempre peça um salário bem inferior ao piso, pois sei que a grande maioria das empresas de comunicação não chegam ao piso da categoria.

Caminhos - Qual mídia hoje (impresso, rádio, tv e internet) oferece o maior piso salarial?

Bruno - De acordo com o Sindicato dos Jornalistas, o maior piso é de assessoria de imprensa, seguido de mídia impressa (Jornais e revistas), e depois TV e Rádio. O site é bem interessante e oferece muitas informações, inclusive quanto ao preço de trabalhos freelancers: http://www.sjsp.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=29&Itemid=48

Caminhos - Qual o nome da revista para a qual você faz o serviço de freelancer e como é a relação dela com esse tipo de profissional? Ela contrata com frequência muitos jornalistas?

Bruno - O nome da revista é “Festa & Cia”, que aborda produtos e serviços para festas infantis. A empresa é muito pequena. Eu sou o único jornalista e sou o responsável pela produção dos textos das edições, não por todos, pois chega muita coisa pronta, elaborada por decoradores e buffets que enviam os textos de divulgação e fotos. Recebo no meu email os contatos das pessoas que devo entrevistar e as fotografias de decoração sobre as quais devo fazer comentários que devem acompanhar as fotos.
Ao receber a "pauta", que consiste no tema da matéria e os contatos, elaboro o texto e mando para a diretora, que providencia a diagramação. Faço esse trabalho de casa mesmo, muito rapidamente, inclusive... É possível fazer a redação de uma edição inteira em uma semana com tranquilidade.
Eu recebo por edição... Não é um salário. São oito edições por ano da revista, quatro em São Paulo e quatro para o resto do país. A cada edição trabalhada recebo o valor combinado com a diretora da revista.

Caminhos - Existem muitos jornalistas freelancers hoje em dia, devido à concorrência do mercado? É vantajoso trabalhar autônomo para quem ainda não conseguiu emprego fixo em um veículo?

Bruno - Sim, há muitos freelancers hoje em dia, que trabalham de forma esporádica para diversos veículos. A vantagem é que o jornalista freelancer faz seu horário e muitas vezes consegue ganhar até mais que um jornalista que bate cartão todo dia numa redação ou assessoria. Mas até que isso aconteça, ele vai penar um pouco.
Dificilmente alguém começa como “freela”, pois esse tipo de profissional precisa fazer um nome, ter um bom portifólio e isso ele vai construir no mercado, nas redações e assessorias. Há sempre pequenas empresas precisando de profissionais para serviços rápidos e que não exigem muita experiência. Dessa maneira também é possível começar a fazer “freelas”, mas a remuneração não será tão boa quanto um emprego fixo possibilitaria.

Caminhos - Como você avalia o mercado de jornalismo de hoje se comparado ao do século passado? Como as mudanças ocorridas na área (surgimento dos grandes conglomerados de mídia, consolidação dos jornais, criação do rádio, da TV e da internet, configuração da profissão, do ensino e do mercado jornalístico, entre outras) contribuíram para essa transformação do mercado?

Bruno - Sem dúvida, hoje em dia o mercado é muito mais competitivo e saturado com relação ao século passado, principalmente porque, há décadas atrás, o jornalismo era muito mais uma questão ideológica do que profissional. Hoje em dia, há a profissionalização da carreira, há o curso universitário, que é recente.
Todas essas mudanças citadas contribuem para tornar a prática da comunicação e a disseminação das informações mais rápida e eficaz e isso só facilita o trabalho do jornalista, que tem mais condições, mais ferramentas, para levar informações a um maior número de pessoas.

Caminhos - Embora o mercado tenha ficado mais concorrido em relação ao do século passado, você não acha que ele se ampliou também, devido ao advento da internet?

Bruno - Eu não atribuo à internet a ampliação de profissionais da área de comunicação, mas sim à necessidade que a sociedade tem de se informar cada vez mais e mais rapidamente. A internet é uma ferramenta fundamental hoje em dia para que exista rapidez de informação para todos os veículos, não apenas aos que se limitam à internet, como os portais de notícias.
Mas  sem dúvida, a criação de portais de notícias e outros segmentos faz com que haja o crescimento do mercado de trabalho, pois trata-se de mais uma área de atuação própria para o jornalista, mas não creio que seja por causa deles apenas que o mercado tenha crescido, mas sim pelas facilidades que a internet possibilita.
E vale lembrar que os maiores postos de trabalho para o jornalista não estão ligados diretamente aos portais de notícias, mas sim às assessorias de imprensa, que se utilizam muito dos recursos da internet. Mas as assessorias certamente existiriam sem a internet, embora de modo mais precário, como todos os outros veículos de comunicação (Rádio, TV, Jornais e Revistas) também teriam continuado suas atividades, embora talvez sem a mesma visibilidade e rapidez de hoje, que a internet possibilita.

Caminhos - Para você então a invenção da internet foi mais importante para o mercado jornalístico como um modo de acelerar a difusão da informação e facilitar o trabalho dos jornalistas, do que como uma forma de serem criadas mais vagas de emprego?

Bruno - Exatamente! Pois se paramos para analisar, vamos ver que toda a mídia tem a sua versão na internet: jornais, revistas, TVs e rádios possuem seus sites, blogs e perfis nas redes sociais, e as assessorias também possuem seus sites, além de cuidar da manutenção de conteúdo de sites e redes sociais de seus clientes.
Há portais como UOL, R7, G1, Terra, IG, etc... Mas desses que eu citei, três pertencem a  grupos de comunicação dedicados a outras mídias. O UOL pertence ao Grupo Folha, o R7 é da Record, o G1 é da Globo.
Apesar de existir jornalistas exclusivos para a redação desses sites, há muita colaboração do material produzido no jornal e nas emissoras de TV.
Se analisamos dessa maneira, percebemos que poucos são os profissionais exclusivos dos sites, um número talvez pouco expressivo.
Hoje em dia, com a internet, o profissional do Jornalismo deve ser cada vez mais completo. A internet exige isso, pois em um site você encontra todas as mídias reunidas: há textos, fotografias, vídeos e áudios.

Caminhos - Quais são os requisitos fundamentais para a contratação de um jornalista recém-formado?

Bruno - Atualmente, observo muitas vagas destinadas a recém-formados. Nesses casos, percebo que não há muita exigência quanto a experiências profissionais, embora elas sempre existam. Mas as empresas que desejam contratar recém-formados geralmente pedem que o candidato tenha um bom nível de inglês, entre intermediário e avançado, e experiência de aproximadamente um ano na especialidade da vaga. E quem fez estágio durante a faculdade não terá problemas quanto a isso.
Mas muitas empresas abrem vagas para recém-formados para pagar uma miséria, porque sabem que a pessoa que acabou a faculdade sem um emprego não vai ligar tanto para salário, mas sim para uma rápida colocação no mercado. E aproveitando-se disso, as empresas oferecem baixos salários, coisa de R$ 1000, no máximo R$ 1500, para jornadas de 44 horas semanais, ou então pedem que o candidato dê a sua pretensão salarial, e é claro que eles vão contratar aquele que oferecer o valor mais baixo. É triste, mas é a realidade!
O que acontece muito também, entre empresas de assessoria de comunicação, é contratar por um baixo salário e sem registro, apenas com um contrato de trabalho, como acontecem na maioria dos estágios. O profissional não tem garantias, não tem 13º salário. É complicado, mas em um mercado saturado muitos se sujeitam a essas condições para conseguirem trabalhar na área.

Caminhos - É mais comum esses salários baixos pagos a recém-formados subirem com o tempo, ou as empresas costumam demitir esses profissionais para contratar novos jornalistas iniciantes por baixa remuneração?

Bruno - Há empresas que, apesar de oferecerem um baixo salário, fazem, ou pelo menos dizem que fazem um plano de carreira para o funcionário.
Por exemplo, há quase um ano fui a uma entrevista em uma pequena assessoria de comunicação, localizada no Brooklin, zona sul de São Paulo. Eles ofereciam R$ 1000 para uma jornada de 40 horas semanais e o diretor do lugar me disse que eles tinham esse plano de carreira, que podia ser uma promoção de cargo e aumento salarial, ou então apenas um aumento salarial depois de alguns meses, se o funcionário demonstrasse merecimento.
Mas isso é muito vago. O que é demonstrar merecimento na visão dele? Para mim, na época, teria sido bom, mas acabei não sendo selecionado, mas não sei até que ponto é bom ter constantes aumentos sem a segurança de um registro em carteira, coisa que esse lugar não oferece.
Mas no geral, acho que as empresas procuram manter seus funcionários, promovendo-os e aumentando seus salários sempre que possível. Do contrário, seria preferível trabalhar apenas com freelas.

Caminhos - O quanto o nome da universidade pode influenciar na hora de se arrumar um emprego na área?

Bruno - Honestamente, acho que conta muito pouco. O que vale mais é o conjunto, ou seja, as experiências profissionais anteriores, os idiomas que domina e outras habilidades. Talvez grandes empresas dêem mais importância à escola na qual o candidato é formado, mas as empresas pequenas, que são as que mais empregam, vão valorizar o perfil do candidato, suas características, habilidades e competências, muito mais que a instituição pela qual se formou.
É claro que há universidades que preparam melhor que outras, mas muitas vezes uma pessoa formada em uma faculdade pequena compensou a formação mediana na faculdade com bons estágios e cursos. E em jornalismo, a experiência é que faz a diferença e não o nome da instuição de ensino.

Caminhos - Qual das áreas de atuação do jornalismo hoje (tv, rádio, impresso, internet e assessoria) apresentam um mercado de trabalho melhor?

Bruno - As assessorias de imprensa são as que mais empregam. Geralmente, as assessorias pertencentes a empresas, ou seja, a assessoria como departamento, oferecem melhores condições aos funcionários. Já os escritórios de assessoria, em sua grande parte, são mais complicados, pois acabam não registrando o funcionário, explorando demais e pagando muito pouco.

Caminhos - E se levarmos em conta somente a tv, o rádio, o impresso e a internet? Na sua opinião, qual mídia oferece mais vagas?

Bruno - Acredito que os veículos impressos (jornais e revistas), principalmente editoras de pequeno e médio portes, que produzem revistas dos mais diversos segmentos, além dos jornais de menor visibilidade, como comunitários, de bairro e sindicais.

Caminhos - Como você já disse, a internet usa muito material de outros veículos e por isso tem poucos jornalistas trabalhando apenas nesta mídia. Mas por que a Tv e o rádio contratam menos que o impresso?

Bruno - Porque não há tantas emissoras de rádio e TV quanto jornais, revistas e assessorias de imprensa. É uma questão mesmo de quantidade de postos de trabalho. No mercado há mais veículos impressos do que meios de comunicação áudio-visuais.

Caminhos - Alguma das quatro mídias precisa contratar geralmente um número maior de jornalistas em relação às outras, devido a uma complexidade maior do veículo?

Bruno - Creio que o número de jornalistas de uma empresa varia mais de acordo com o porte dela do que propriamente com a complexidade das tarefas a serem cumpridas.
               
Caminhos - Para muitos especialistas, um dia o jornal impresso irá acabar, tanto pela diminuição da procura, tanto pela escassez do papel. Qual sua opinião sobre o assunto e como você acha que isso pode afetar o mercado jornalístico?

Bruno - Não acredito na extinção dos veículos impressos, pelo menos não em curto ou médio prazos, pois ainda há muitas pessoas, jovens inclusive, que sentem desconforto ao lerem textos muito longos na tela de um computador ou até mesmo em um Ipad. Nada como ter em mãos uma revista, que pode ser colecionada, inclusive.
Pode haver sim uma diminuição nas tiragens de jornais e revistas impressas e a migração desse conteúdo para as mídias digitais, mas a extinção total da mídia impressa, acredito que não ocorrerá tão cedo.
E mesmo se ocorresse imediatamente essa ruptura, isso não afetaria o mercado jornalístico, uma vez que a produção de conteúdo continuaria sendo a mesma, mas apenas disponibilizado de outra maneira.

Caminhos – Para finalizar, qual a sua visão geral sobre o mercado de trabalho da nossa profissão e o que você acha que o jovem estudante de jornalismo deve esperar dele?

Bruno - O mercado de trabalho no Jornalismo está cada vez mais saturado e a pessoa que se propõe a ser jornalista deve estar preparado para ele, não apenas no que diz respeito a ter uma boa formação, conhecimento de mundo e experiências profissionais em estágios, mas também paciência e persistência. Eu mesmo demorei um ano e seis meses para arrumar um trabalho, mas consegui.
Deve-se ter humildade e equilíbrio nesta busca, além de espírito empreendedor para o caso de não conseguir uma colocação enquanto funcionário, pensar em trabalhar por conta própria, o que não é nada difícil na nossa carreira, este, aliás, é um aspecto positivo na nossa profissão.

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